Cavalo de Guerra é sobre um cavalo. Ah, e tem guerra!

Spielberg com certeza já teve dias melhores. O diretor de E.T., A Cor Purpura, A Lista de Schindler, Contatos Imediatos de 3º Grau e tantos outros que eu poderia citar para avisar que só porque ele curtiu uma peça achou que poderia fazer um filme sobre um cavalo. Não um cavalo qualquer. É uma entidade que veio para fazer algumas pessoas falarem como se tivessem sofrido AVC a pouco e para pacificar a Inglaterra à beira da Primeira Grande Guerra.
OK, até aí podemos pensar que o filme irá melhorar e, com certeza com todo o negócio de ter guerra no título, ele terá grandes emoções. Em parte o pensamento está mais do que certo. A primeira parte de Cavalo de Guerra é um sobe e desce de ótimas sequências e com várias cenas de vergonha alheia (das piegas até as “emocionantes), isso porque o alívio cômico é um ganso mal-humorado chamado Harold – até aqui o melhor em cena. E por isso friso que a culpa é de Albert e seu jeito autista de conversar com o cavalo e seu apegamento quase espiritual com o animal. É tão jogado, tão jogado, que parece forçado para emocionar o espectador com o que ocorrerá na hora da tão descarada separação quando a guerra é iminente.
Aliás, as sequências durante as batalhas são muito boas e remetem a O Resgate do Soldado Ryan e aquela cena de abertura maravilhosa com vários corpos ficando pelo caminho. Muitas das qualidades do filme se deve a parte técnica, da fotografia (lembrando bastante …E o vento levou) à trilha sonora, tudo é bonito e poderia emocionar se não fossem os personagens limitados e pouco desenvolvidos.
Um dos maiores problemas de Cavalo de Guerra está em ter muitos personagens que interagem com o tal cavalo. O filme parece não acabar e como ficamos bem pouco com cada um desses personagens e o desenvolvimentos deles fica na metade, sem contar que não dá para criar a mínima simpatia com o personagem principal, depois do cavalo, interpretado por Jeremy Irvine. Desde a sua primeira aparição sem falas e com cara de kiwi incomoda ao extremo. A história é deJoey, o cavalo do título, que é leiloado em uma feira e acaba sendo comprado por Ted Narracott, ex-herói-de-guerra-manco-e-agora-fazendeiro, em uma disputa com seu senhorio. Albert, filho de Ted, acaba criando laços afetivos com o cavalo e resolve domá-lo.
Então entra e sai personagem e não dá, simplesmente não dá mesmo, para se emocionar com nenhum deles, não há tempo hábil durante toda a projeção que force realmente qualquer um que esteja assistindo a gostar, simpatizar, amar ou chorar pelo personagens que cruzam o caminho do Joey. Sim, ele atravessa, interage, sobe nas patas traseiras, faz um amigo e vive grandes confusões, mas, pérálá, isso não é um filme onde os animais falam, e aí o tio Spielberg realmente pisou na bola (uma das maneiras de transmitir a emoção do equino é focalizar em seus olhos). Não sei se tenho mais dó do cavalo passando por diversos (cof cof) apuros ou por ele ter que conviver com algumas pessoas, digamos, limitadas.
Se você tem dó de bichos sendo maltratados e correndo risco de vida, passe longe. Se você gosta de filmes bons que te deixam emocionado, ou despertam qualquer sentimento em você, passe longe. Ou seja, não assista Cavalo de Guerra se não fizer a menor diferença na sua vida a fotografia, trilha e montagem de um filme. Se a história e personagens é o que te move, esse Spielberg não é para você.

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